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Em defesa de Marcela Temer

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(Foto: Reprodução Internet)

(Foto: Reprodução Internet)

Calma, petistas xiitas e feministas radicais. Estou ouvindo a gritaria de vocês após lerem o título desse post.  Vai ter gente me xingando até. Mas como pago minhas contas,  sem depender de nada e de ninguém além de mim e há muito tempo, vou opinar sobre o assunto. E sei que vou desagradar mas, fazer o quê? Tenho visto, nas redes sociais principalmente, as pessoas destilando ódio e ressentimento por pessoas que não conhecem e não fazem parte da vida pública.  Mas como essas figuras pertencem a uma classe social abastada ou mostram um perfil conservador são declaradas inimigas. Mais senso crítico, senhores e senhoras. O nome disso é preconceito. Logo vocês, que dizem  não sofrer desse mal?

Estão descendo a lenha em Marcela Temer pelos mais variados motivos. Leio comentários sobre o valor exorbitante do vestido que usou no discurso do lançamento do projeto Criança Feliz. E, claro,  o modelo da roupa não passou ileso. Há críticas sobre o discurso de três minutos que ela fez e que suscita para muitos a volta da ideia que toda mulher é maternal e que só a ela cabe a responsabilidade pela criação dos filhos. Outros mostram ressentimentos com relação à volta do “primeiro-damismo”  e o retrocesso que isso significa para o feminismo no Brasil e por aí vai.

Vou começar de novo lembrando que quando o PT escolheu Michel Temer para ser o vice de Dilma sabiam quem ele era e que seu conservadorismo fazia parte do pacote. Esse senhor que se tornou o presidente do Brasil após o impeachment é casado com uma bonita loira  43 anos mais jovem. E ninguém tinha dado muita importância à existência de Marcela até que a revista  Veja fez seu perfil entrevistando pessoas próximas da mulher de Michel Temer. Mas sem aspas daquela que é foco da matéria.  E deram à matéria o seguinte título: bela, recatada e “do lar”.

O texto discorre sobre a bela jovem que se casou aos 20 com o presidente, à época com 60 e é mãe de um garoto de 7 anos. Todos em seu entorno ressaltam sua educação, pudor em vestir roupas mais curtas e  chamar atenção, seu prazer em se dedicar a cuidar da casa e do filho do casal.

Talvez por conta desse perfil feito pela revista (relembro que a moça nunca foi entrevistada) ouço vozes estridentes dizendo que ela representa a mulher dos anos 50. E que há um esforço de marketing do governo com apoio da mídia para valorizar essa imagem de mulher no presente. E que isso representa perigo para as conquistas femininas.

Então, vamos falar da vida como ela é para a mulher no Brasil. Já ouviram falar em Capital Marital? Então, é o termo criado por Mirian Goldenberg para falar do extremo valor que as mulheres no Brasil dão ao marido que é considerado um bem, um valor para muitas. E olha, conheço mulheres independentes, inteligentes, com curso superior com autoestima abaixo do nível da camada pré-sal por não terem marido para exibir para a família e sociedade. E vejo isso em todas as classes sociais. A equação é mais ou menos essa: mulher com marido = aceitação social, mulher sem marido = férias familiares viajando para longe e  evitando as perguntas incômodas daquela tia chata que não cansa de dizer que “você ficou encalhada”. Não se enganem amigas feministas. O Brasil é machista e compactuamos com isso muitas vezes sem perceber.

Vamos falar de fenômenos mundiais: lembre-se do estrondoso sucesso do livro Cinquenta Tons de Cinza, o pornô soft que vendeu 100 milhões de cópias no mundo e 5 milhões só no Brasil. Do que trata a história que levou as mulheres ao delírio? É sobre um homem lindo, poderoso e rico (do tipo que convida a mocinha para dar um rolê de helicóptero pela cidade) que se apaixona por uma jovem de 21 anos virgem. E que ele inicia no sexo deixando claro mais tarde, por contrato, que ele será o dominador e ela a dominada.

E o que isso tem a ver com o assunto? Simples: por mais que nos últimos 60 anos as mulheres tenham feito conquistas impensáveis para as gerações anteriores, ainda recebemos influência de milhares de anos de submissão. E de todos os tipos. Em resumo há, sim, mulheres que ainda sonham em achar um príncipe encantado e todo o pacote conhecido através das histórias infantis,  lidas para elas todas as noites antes de dormir.

Não é em sete décadas que a situação vai se alterar. E no mundo todo vemos que o machismo impera e dita regras, quebradas obviamente pelas feministas mais aguerridas. Recordem-se de Patricia Arquette ano passado, com seu Oscar na mão e reclamando que as atrizes ganham menos que os homens em Hollywood. Falamos da sociedade americana e quem já passou um tempo nos EUA sabe que essa mulher tem muito mais poder que a latina.

Concluindo: muitos dos nossos comportamentos são reflexos dessa submissão feminina ao longo dos séculos. É importante percebermos e lutarmos contra isso. Grandes avanços foram feitos, temos muitas conquistas. Mas ainda há muito a ser feito e por vezes, mesmo inconscientemente, somos coniventes com o machismo. Espero que um dia alcancemos a igualdade de gêneros. E que a mulher tenha o direito de escolher ser dona de casa e se dedicar apenas aos filhos. Não vejo nada de errado nisso. Conheço mulheres que, se tivessem condições financeiras, não pensariam duas vezes em ser “do lar”.

Vi o discurso que Marcela Temer fez na quarta-feira e não achei nada absurdo naqueles três minutos. Em dado momento ela diz que “Nós, pais, cuidadores influenciamos de forma decisiva a criança nos primeiros anos de vida”. Mentiu? Esqueceu alguém importante? Me preocupo muito mais em saber detalhes desse projeto e como ele vai beneficiar crianças de até 3 anos de famílias que recebem o Bolsa Família. E, claro, que não haja nenhum tipo de irregularidades que o impeçam de chegar àqueles a quem foi destinado. Não tem jeito. Vamos ter de aguardar para ver como Marcela Temer vai se sair.

Mas eu queria aproveitar para lembrar umas coisinhas que os ressentidos nunca falam. De que forma se referiam a dona Marisa Letícia quando Lula era presidente? Ah, sim, primeira-dama… E o que ela fez de memorável nos oito anos de mandato do marido? Não ouvi… Podem falar mais alto?

Muitos vão querer cortar os pulsos, mas se o Brasil teve uma grande primeira-dama que, aliás, odiava esse termo, ela se chamava Ruth Cardoso. Antropóloga, feminista, independente e muito atuante no sentido de fortalecer a sociedade civil durante o mandato de FHC. Será difícil alguém superá-la.

 

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Written by cleofrancisco

outubro 11, 2016 at 9:13 am

Cuidado: para quem não sabe aonde vai, qualquer lugar serve

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(Foto: Jack Moreh/Freerange Stock)

(Foto: Jack Moreh/Freerange Stock)

Hoje quero abordar um assunto sobre o qual estou lendo em um livro bem interessante que ganhei.  A obra se chama Personal Branding Construindo Sua Marca Pessoal, escrita por Arthur Bender (Integrare Editora). Como o próprio título fala, ela discorre sobre a marca pessoal. Lembra que houve uma época que se falou muito de marketing pessoal? Pois é. Parece que a ideia evoluiu para marca pessoal.

E o que seria a sua marca? Bom, de acordo com o autor ela é o que você mostra: a forma como se comporta, se articula. É composta também pelo vocabulário e as roupas que usa.  Ou seja, tudo o que dá informação sobre quem é faz parte da sua marca. Nosso jeito de atuar e ser no mundo dá mensagens sobre quem somos e o que queremos.

Ainda estou no começo do livro, mas tem uma frase ali que grifei e queria dividir com vocês que o autor usa nessa discussão sobre marca pessoal: “Quem não sabe para onde está indo, vai para qualquer lugar”.   E aí te pergunto: para você está indo, minha amiga?  Sabe onde estará daqui a cinco ou 10 anos?  Fará o que e com quem?

Preste muito atenção porque o tempo, que é talvez a coisa mais preciosa que temos, passa, viu? Principalmente hoje,quando a internet, celular, o excesso de informação dão a impressão que as horas,  dias, semanas voam. Pare um pouco e reflita: como está sua vida?  Como quer que ela esteja daqui a alguns anos. Com quantos anos vai estar?

Se programe, trabalhe em direção ao seu desejo, cuide de si que é também dar atenção e valorizar sua marca pessoal, as informações e mensagens que emite para as pessoas  em sua volta. Evite se encontrar, de repente, perdida em qualquer lugar, mas naquele que você batalhou para estar.

Written by cleofrancisco

agosto 22, 2016 at 5:00 am

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Traição pela internet pode ser considerada infidelidade?

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Logo ashley madison

(Foto: Reprodução do site Ashleymadison.com) Propaganda do site: a vida é curta, curta um caso, diz o slogan

Em novembro de 2011 fiz uma matéria de cinco páginas sobre infidelidade masculina para a revista UMA e acabei abordando também os sites de traição, que haviam desembarcado naquele ano em terras brasileiras. Entrevistei o criador do site Ashleymadison.com, o canadense Noel  Biderman, por Skype, de seu escritório em Toronto. E ele, claro, defendeu seu negócio. “A infidelidade sempre foi associada à oportunidade e costumava ficar mais restrita ao ambiente de trabalho. No entanto, um caso perfeito para um homem não é apenas aquele em que se tem uma maravilhosa relação sexual, mas no qual também não há a possibilidade de ser pego, tem sigilo. No trabalho, é possível encontrar ótimo sexo, mas os outros podem saber disso”, disse Biderman sobre trair com o auxílio da internet.

Bem, como soubemos nos últimos dias, essa prática não é tão segura assim. De acordo com matéria do portal R7 que cita outro site, o Mashable, 33 milhões de usuários do Ashleymadison.com tiveram seus nomes, preferências sexuais, telefones e outros dados expostos após o ataque de hackers. Ontem (25/08)  o site brasileiro publicou que três pessoas teriam supostamente se suicidado por conta do vazamento de informações.

Verdade ou não, o fato é que muitas pessoas se utilizam da web para se conectar com outros parceiros com os quais farão sexo virtual, que pode ou não se tornar presencial. E no caso de a relação acontecer apenas via tela de computador, muitos nem mesmo verão nisso uma traição, já que não existe contato físico. Mas o tema infidelidade sempre causa polêmica talvez porque seja visto como a maior transgressão feita dentro de um casamento. E quando aliamos a traição à internet, aumentam as questões sobre o tema. Sexo virtual é sexo? Pode ser visto como infidelidade? Vale a pena utilizar a internet para ter prazer com outra pessoa e se sentir seguro de que ninguém saberá da história?

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Written by cleofrancisco

agosto 26, 2015 at 11:08 am

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Programa da XX Jornada de Sexualidade da UNISAL

Programa da XX Jornada de Sexualidade da UNISAL

Sim, os católicos discutem sexualidade. Mais: debatem sobre as Juventudes e Sexualidade: por onde e para onde caminham os jovens. Esse será o tema da XX Jornada Salesiana de Sexualidade promovida pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal) no dia 24 de outubro. As inscrições são feitas apenas pelo site www.unisal.br/jornadasexualidade Para saber mais sobre o evento e a entidade entrevistei o padre Ronaldo Zacharias, doutor em Teologia Moral (Weston Jesuit School of Theology – Cambridge – USA), educador sexual, coordenador do Curso de Pós-Graduação em Educação Sexual e  também Reitor do UNISAL.

Amo, sexo e muito mais: O Centro Universitário Salesiano de São Paulo é uma instituição católica que tem uma pós-graduação em Educação Sexual cujas matérias abordam os mais diferentes aspectos do exercício da sexualidade humana. Pode contar um pouco sobre a implantação dessa pós e se houve alguma dificuldade por causa do tema que ela aborda?

Ronaldo Zacharias: O curso de pós nasceu da paixão que a Ana Canosa (psicóloga, terapeuta sexual e educadora sexual) e eu temos pela educação da juventude. Depois de anos estudando e lecionando o tema da sexualidade, acreditamos poder dar uma contribuição efetiva para a formação de educadores e profissionais que se empenham em ajudar as pessoas a serem mais felizes. Foi em 2004 que tomamos a decisão de criar um curso de pós-graduação que focasse, sobretudo, na dimensão ético-educativa da sexualidade. Convidamos a então coordenadora do Curso de Pedagogia da Unidade Santa Teresinha-São Paulo do UNISAL, professora Rita Maria Lino Tárcia e, juntos com ela, empregamos mais de um ano na elaboração do Projeto Político Pedagógico do curso. Em 2005, abrimos a primeira turma. Na época, o Projeto do curso foi submetido à análise crítica por parte de uma comissão de professores da Unidade de Lorena. Acolhidas as contribuições de tal comissão, o curso foi aprovado pelo CONSU.  Desde então, temos aberto uma turma a cada ano, com educadores e profissionais de vários Estados do Brasil e de várias cidades do Estado de São Paulo. Na época em que abrimos o nosso curso, havia outros na praça. O diferencial da nossa proposta era formar educadores sexuais, sobretudo do ponto de vista ético. Acredito ser esta especificidade que tem atraído educadores e profissionais de tantos lugares.

ASMM: O tema da XX Jornada Salesiana de Sexualidade será Juventudes e Sexualidade: Por onde caminham os jovens. Notei que juventudes está no plural. É proposital?

Ronaldo Zacharias: Desde o início, o curso de pós se propôs a contribuir com a formação de educadores e jovens de várias comunidades. Duas foram as iniciativas: o Projeto Amores e as Jornadas de Sexualidade. As Jornadas constituem um espaço privilegiado de estudo e aprofundamento de temas de fronteira e uma oportunidade concreta para que os alunos do curso de pós apresentem suas pesquisas à comunidade. Estamos na XX Jornada, que abordará o tema Juventudes e Sexualidade. O fato de juventudes estar no plural não é secundário. Não é mais possível pensar a existência de apenas uma juventude, pois não podemos reduzir um grupo social e suas construções sociais na história a uma unidade indivisível, uniforme e invariável. O que existe são juventudes, isto é, diversas expressões e significações da complexa rede que surge em nossas sociedades a partir de um grupo social e que se expressa de modo múltiplo e plural. As juventudes devem ser consideradas como grupos sociais diferenciados, com particularidades e especificidades em cada sociedade. Os rostos, os sonhos, as vozes, as dores, as esperanças das juventudes são diferenciadas em cada contexto e em cada época. Isso significa que a nossa reflexão e, sobretudo, a nossa proposta educativa não pode ser de “tamanho único”. Compreender por onde e para onde caminham os jovens significa reconhecer interesses e vias múltiplas, plurais. No campo da sexualidade isso implica reconhecer modos diferenciados de compreendê-la e vivê-la, a ponto de podermos falar também de sexualidades juvenis. Assim como as juventudes, também a sexualidade tem de ser pensada no plural. As Jornadas são eventos gratuitos, justamente para facilitar a participação de todos os que se interessam pelo tema. Nesses dez anos de caminhada, atingimos milhares de educadores e jovens. Basta isso para confirmar a atualidade e a importância da proposta.

Outra iniciativa própria do curso é o Projeto Amores. Trata-se de um estágio que os alunos da pós fazem com adolescentes e jovens de obras sociais, na grande maioria, vindos da periferia de São Paulo. O estágio é sempre realizado no terceiro semestre do curso, durante todo o semestre, em um sábado de manhã por mês. Os alunos, orientados e supervisionados pela Ana Canosa, realizam oficinas temáticas com os participantes, de modo a capacitá-los como multiplicadores de conhecimento. Nesses dez anos de existência do curso, atingimos quase mil adolescentes e jovens nos estágios realizados. Fato notável é que, nos últimos quatro anos, os pais desses adolescentes e jovens quiseram participar do estágio. Abrimos uma turma apenas para eles, mas essa também orientada pelos alunos da pós. Os resultados obtidos têm sido relevantes para os alunos e para a comunidade educativa à qual esses adolescentes e jovens pertencem.

ASMM: Notei que vão discutir Juventudes e Gênero. Por que a necessidade de se discutir gênero é tão importante para os jovens? O mesmo vale para o tema das redes sociais virtuais.

Ronaldo Zacharias: A mesa-redonda desta Jornada abordará dois temas de fundamental importância: gênero e redes sociais virtuais. Basta olhar para o momento pelo qual passa o Brasil para perceber o quanto gênero se tornou uma questão ideologicamente manipulada. Criaram um fantasma que acabou assombrando tantas pessoas, inclusive instituições religiosas, surpreendidas pela falta de preparo sobre o assunto e, consequentemente, facilmente manipuláveis. A questão de gênero tem múltiplas dimensões – biológica, psicológica, sociocultural, política, econômica, jurídica, religiosa, espiritual, ética e teológica – e, justamente pela complexidade da questão não pode ser abordada de forma irresponsável, acrítica e “terrorista”. Reconhecer a diversidade e assumi-la como referencial para a vivência e realização humana, comprometer-se com a justiça e a equidade nas relações, denunciar toda forma de violência e exclusão baseada na diferenciação sexual ou na orientação afetivo-sexual, promover o respeito à dignidade humana e aos direitos fundamentais do humano são questões intimamente relacionadas com gênero.

Outra questão que será debatida refere-se às redes sociais virtuais. O acesso irrestrito a tais redes transformou radicalmente não apenas a compreensão da sexualidade quanto ao modo de lidar com ela. As redes tornaram-se instrumentos de aproximação e de viabilização de relacionamentos. Por meio das redes, o outro que se apresenta como um perfil se diz e se comunica nos mínimos detalhes postados em cada foto, em cada preferência, em cada post compartilhado e curtido e vice-versa. Que as redes favoreceram os relacionamentos,  é fato inegável. Se tais relacionamentos são entre pessoas ou perfis, é algo a ser discutido. Outro aspecto a ser discutido: o perfil é facilmente modificável e manipulável conforme as expectativas alheias e até mesmo da própria plataforma utilizada. Até que ponto os jovens são sujeitos nesse processo e nesse espaço é algo a ser aprofundado. Enfim, as redes estão aí, à disposição de todos. E, com elas, emergiram questões que até ontem tinham outra conotação, como distância, anonimato, frustração, descartabilidade, partilha, relação. São essas questões que serão postas em debate.

ASMM: Transgêneros, homossexualidade e bissexualidade estão entre os temas muito abordados pela mídia recentemente. O senhor acha que a abertura social a essas discussões ajuda o jovem no exercício e descobrimento de sua sexualidade?

Ronaldo Zacharias: Não apenas ajuda como é essencial no processo de autoconhecimento, autoaceitação e, consequentemente, de autorrealização e humanização. Ninguém se realiza ou se humaniza sem saber quem é e sem fazer as pazes consigo mesmo. Vivemos numa era privilegiada, em que o acesso à informação está à disposição de todos. Não dá mais para se comportar como se houvesse assuntos-tabu. Novos paradigmas emergiram, e eles espelham várias possibilidades de realização do humano. Cabe aos educadores e aos jovens abrirem-se a esses novos paradigmas, a fim de que na tarefa de definição do próprio projeto de vida, integrem o que são e o que sentem.

 

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Written by cleofrancisco

agosto 25, 2015 at 10:41 am

Dizer que homem é “Divagar” é sexista, mas usar uma gostosa para vender cerveja, não

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(Foto: Gratisography / Ryan McGuire/ Freerangestock.com)

(Foto: Gratisography / Ryan McGuire/ Freerangestock.com) Sei que os politicamente corretos vão reclamar da imagem. Mas era o que tínhamos para o momento…

Tem notícias que me dão uma preguiça! A da coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo de ontem (13/08) é uma dessas. Segundo a nota, consumidores que viram a propaganda da Bombril com Monica Iozzi, Dani Calabresa e Ivete Sangalo reclamaram de discriminação de gênero. Só porque brincam com a ideia de que mulheres limpam melhor a casa do que os homens, que são “Divagar”. O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deve investigar a propaganda.

O comercial está no final desse texto e achei bem sacado, humorado. Três mulheres famosas e inteligentes em uma propaganda de produtos de limpeza brincando que os homens não sabem cuidar de uma casa. Aí eu pergunto: colocar no comercial de cerveja uma gostosa de roupa curta e apertada, com uma fila de homens para tirar casquinha dela não incomoda ninguém, né? Decidi colocar abaixo a definição do Michaelis sobre o que é sexismo.

Written by cleofrancisco

agosto 14, 2015 at 9:21 am

Dizer que homem é “Divagar” é sexista, mas usar uma gostosa para vender cerveja, não

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(Foto: Gratisography / Ryan McGuire/ Freerangestock.com)

(Foto: Gratisography / Ryan McGuire/ Freerangestock.com) Sei que os politicamente corretos vão reclamar da imagem. Mas era o que tínhamos para o momento…

Tem notícias que me dão uma preguiça! A da coluna da jornalistaMônica Bergamo, da Folha de São Paulo de ontem (13/08) é uma dessas. Segundo a nota, consumidores que viram a propaganda da Bombril com Monica Iozzi, Dani Calabresa e Ivete Sangalo reclamaram de discriminação de gênero. Só porque brincam com a ideia de que mulheres limpam melhor a casa do que os homens, que são “Divagar”. O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deve investigar a propaganda.

O comercial está no final desse texto e achei bem sacado, humorado. Três mulheres famosas e inteligentes em um comercial de produtos de limpeza brincando que os homens não sabem cuidar de uma casa. Aí eu pergunto: colocar no comercial de cerveja uma gostosa de roupa curta e apertada, com uma fila de homens para tirar casquinha dela não incomoda ninguém, né? Decidi colocar abaixo a definição do Michaelis sobre o que é sexismo.

Written by cleofrancisco

agosto 13, 2015 at 12:44 pm

Como turbinar a autoestima feminina? Dicas na revista Nova Família que está nas bancas

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CAPA NOVA FAMÍLIA

Falar sobre autoestima feminina é uma das coisas que mais gosto. Principalmente porque percebo a cada dia como estamos em desvantagem com os homens nesse quesito. Eles se bancam muito mais. Nós, geralmente, somos tímidas e, por isso,  deixamos de conquistar muitas coisas. Tem muito para ser mudado e quero ajudar nessa transformação. E faço meu trabalho de formiguinha, escrevendo, alertando as mulheres sobre o potencial que elas não desenvolveram por se acreditarem menos capazes em muitas áreas.

Sim, estamos em 2015 mas a revolução social e sexual que permitiu mais liberdade às mulheres é muito recente. Essas décadas de relativa alforria conquistada por nós foram muito importantes. Mas os milênios em que precisávamos ser submissas, viver à sombra do pai ou do marido que tinha a última palavra dentro de casa tem muita força ainda sobre nós e a sociedade. Eles ecoam muito forte em nossas cabeças. E a gente tem de dialogar com essas mensagens do passado, avisá-las que os tempos são outros.

Por isso, na minha coluna de estreia na revista Nova Família retomei o assunto que discuti aqui algumas vezes e devo fazê-lo outras tantas.  A publicação acaba de chegar às bancas com matérias sobre tecnologia, planejamento financeiro, saúde, comportamento, legislação, entre outros que interessam a todos os membros da família, que acabou também se transformando nos últimos tempos. Ficou curioso sobre a publicação? Ela já está nas bancas e custa R$ 9,90.

 

 

Written by cleofrancisco

março 11, 2015 at 3:53 pm