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A Difícil Arte de Morar Sozinha – Parte II

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Mas o que uma mulher que mora sozinha pode fazer quando, além de todas as obrigações diárias, tem de se defrontar com problemas domésticos que aparecem do nada?  O trabalho sempre exigindo hora extra de atenção.  O curso de espanhol já foi mudado para os sábados à tarde porque durante a semana, à noite, ficava impossível frequentar as aulas.  Os boletos de contas a pagar se amontoam atrasados porque a fila no caixa eletrônico é sempre enorme.

Minha amiga que mora só, vive nesse corre-corre. Ela só conseguiu tempo para comprar uma geladeira seis meses depois que foi morar sozinha e só porque percebeu que estava prestes a perder o namorado para outra mulher que tinha a oferecer, além de um corpo, meia dúzia de cervejas geladas. Sabia que isso era tentador para aquele homem.  Um dia, enquanto se dirigia ao trabalho ela viu uma luz se acender no painel do carro. Nunca aquilo tinha acontecido e ela estava atrasada para uma reunião.

“O que você fez?”, perguntei? E ela respondeu: “Prestei muita atenção durante o caminho: não saiu fumaça nem vapor de nenhum lugar. Não pegou fogo e nada explodiu… até agora”. Sim, porque a luz esta acesa há mais de um ano e ela ainda não levou o carro para uma revisão. De vez em quando ela sente um cheiro estranho enquanto está dirigindo e fica esperta para ver se sai alguma fumaça de algum lado do veículo.

Mas ela é o que chamariam de pessoa desencanada, apesar das tensões cotidianas. Uma vez, no meio de uma conversa, disseram que pelo jeito sério dela no trabalho sua casa deveria ser um brinco, como se dizia antigamente e que ela deveria ser muito cuidadosa, do tipo que não consegue sair de casa sem fazer a cama. A resposta dela deixou todos sem palavras. “Fazer a cama todo dia por quê? Eu sempre volto para dormir em casa à noite. Vou desarrumar tudo de novo! Para que ter todo esse trabalho?”

Como assim? E se aparece uma visita inesperada? E a resposta: “Lembra aquele desenho animado, o Taz, o Diabo da Tasmânia, que se locomovia em redemoinho? Então, eu viro aquilo e no meio do redemoinho vou tirando tudo o que está na frente e em desordem na casa e enfiando na primeira gaveta ou porta que encontrar. Então, livro e CD podem parar dentro de geladeira e armário da cozinha, botas e sapatos vão para o maleiro do guarda roupas, lingerie embaixo do colchão… O problema é a visita desavisada abrir uma dessas portas e algo cair na cabeça dela… Mas aparentemente tudo fica organizado e dá resultado”.

E no meio das demandas profissionais, de cursos, mercado, família, idas ao banco, oficina mecânica, apareceu aquela infiltração no teto da cozinha, embaixo da pia. Só que o vizinho do andar de cima nunca estava nos raros horários em que ela parava em casa para falar sobre o assunto e cobrar o conserto do vazamento. O tempo foi passando e o teto ficando manchado e escuro como o humor dela e seus piores desejos para esse vizinho.

Mas ela teve de pedir perdão a Deus por isso. O novo zelador finalmente descobriu que o vazamento não é do apartamento de cima, mas do que está acima desse e cujo dono também nunca para em casa. Agora é rezar para conseguir falar logo com esse outro morador. Enquanto isso, energias de ódio são emanadas de um apartamento no nono andar sempre que ela lava a louça.

E aquele chuveiro horrível, que se abrir demais fica frio e, se abrir de menos, não sai água? Trocar lâmpada, pintar paredes, sifão da pia do banheiro, torneira… Ela consegue fazer sozinha e com uma das mãos amarradas nas costas. Quando arruma um tempo, claro. Mas o chuveiro… E nunca encontrava o Zé, o cara que ajudava os moradores do edifício nessas questões mais técnicas. Bom, ela suspeita que, por causa disso, a temperatura de outro relacionamento caiu. Fica complicado. Nenhum romance, por mais ardente que seja, resiste a um chuveiro frio em dias de inverno.

Written by cleofrancisco

julho 5, 2011 às 8:57 am

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