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Tire a cabeça da bunda e seja mais feliz

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Entre outras coisas, livro aborda a busca das mulheres pelo corpo perfeito (Foto: Divulgação)

 

Ninguém vai discutir aqui o quanto a beleza de uma mulher com curvas nos lugares certos chama a atenção.  O post anterior sobre o livro Culo mostra um exemplo disso. A obra traz fotos de várias modelos, donas de corpos maravilhosos, que posaram para o fotógrafo de moda Raphael Mazzucco.   E sempre foi assim, com a diferença que os padrões mudam a cada época.

E, como tendemos a imitar atos, comportamentos e corpos apresentados como bem-sucedidos, fenômeno lembrado pela antropóloga Mirian Goldenberg em seu último livro De Perto Ninguém é Normal  (Grupo Editorial Record / Edições BestBolso) , lá vamos nós mulheres modernas encarar horas de malhação e dietas milagrosas em busca da perfeição.

E o que não for possível resolver desse jeito é trabalhado no bisturi do cirurgião plástico. Afinal, a operação pode ser paga a perder de vista: em 6, 12 ou 24 prestações. E além de um corpo sarado, precisamos apagar as marcas no rosto que mostram que o tempo está passando para nós. Envelhecer está se tornando motivo de vergonha quase.

Mirian cita na obra, entre outros estudos, pesquisa feita pelo The Journal of Sex Research, com duzentas universitárias nos Estados Unidos, na qual um terço das jovens, independentemente de serem magras ou gordas, disseram que a imagem que o parceiro faz do corpo delas é o mais importante durante o ato sexual. Segundo a pesquisa, a ansiedade em relação à forma física leva muitas mulheres até mesmo a evitar o sexo.

No Brasil, pesquisa feita com três mil homens e mulheres de todas as classes sociais, coordenada por Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas de São Paulo, seguiu pelo mesmo caminho. O resultado: 35% das mulheres pesquisadas não sentem nenhuma vontade de ter relações e uma das principais razões é a angústia de não ter o corpo perfeito que os meios de comunicação mostram como o ideal.

Já ouvi de mulheres inteligentes, jovens e lindas que a autoestima delas melhorou depois do implante de silicone nos seios.  Fiquei pensando no quanto essas meninas foram bombardeadas pela ideia de que a moda era ostentar peitões e que quem não tem não chama a atenção do sexo oposto, é menos feminina.

A escritora de De Perto Ninguém é Normal também cita a psicanalista inglesa Susan Orbach sobre a ditadura da magreza imposta às mulheres. “A apologia do corpo perfeito é uma das mais cruéis fontes de frustração feminina de nossos tempos. Considero a busca do corpo perfeito um retrocesso no processo de emancipação feminina”.

As herdeiras das lutas empreendidas pela libertação feminina nas décadas de 60 e 70 viraram escravas da perfeição física. Miriam, que também é autora do livro Toda Mulher é Meio Leila Diniz, lembra a atriz que defendia o amor livre e escandalizou o país ao aparecer grávida, de biquini, na praia. Isso, durante a ditadura militar. Ela parecia mais preocupada em seguir seu desejo de ser feliz do que em dar satisfação para a sociedade sobre como uma mulher deveria se comportar naqueles tempos.

“Leila Diniz permanece até hoje como símbolo da mulher carioca, que encarna, melhor do que ninguém, o espírito da cidade: corpo seminu, sedução, prazer, liberdade, sexualidade, alegria, espontaneidade”.  Imagem que nada tem a ver com a obsessão e insatisfação com o próprio corpo que as mulheres demonstram por se submeterem, sem questionar, à ditadura do corpo perfeito.

Para terminar, uma frase de Maitê Proença, também incluída no livro, que faz pensar. “Fazia musculação, mas percebi que passava duas horas do meu dia com a cabeça na bunda. Não posso perder tempo assim”.

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Written by cleofrancisco

setembro 5, 2011 às 5:09 pm

2 Respostas

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  1. Às vezes me pergunto o que nossos ícones do passado faziam para manter o corpão…não me consta que Leila Diniz frequentasse ginástica, até pq academia, como conhecemos hoje, nem existia. As mídias eram outras…mas tbém não tinha Photoshop. Enfim, parece que as mulheres eram mais bonitas sem neura ou os padrões estéticos mudaram muito.

    paula Calloni de Souza

    março 29, 2012 at 7:18 pm

    • Sim, os padrões estéticos mudaram e há um teórico que defende que a sociedade tende a copiar os membros que parecem bem sucedidos. Ai vem a moda das modelos magrelas, ricas e famosas e o mulherio vai atrás morrendo de fome porque acha que a vida vai melhorar de todas as formas se for um palito… E tem muita mulher que se ilude com as capas de revista. A Cindy crawfoord uma vez disse que nem ela se parece com Cindy Crawford quando acorda. Falta bom senso. E o cultivo do amor e respeito por si.

      cleofrancisco

      março 30, 2012 at 10:34 am


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