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Mais uma história sobre Hebe Camargo

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Foto: Reprodução

 

Com a morte de Hebe Camargo, muitos se lembraram de passagens que mostram um pouco da Loira longe das câmeras. Eu a encontrei poucas vezes, embora tenha tentado em várias ocasiões uma exclusiva que nunca aconteceu. É comum nesses momentos de tristeza que só coisas boas sejam ditas sobre quem partiu.  E vou me juntar ao grande número de pessoas que carregam na memória a imagem positiva da apresentadora, relatando um episódio que mostrou que Hebe cultivava sempre a postura de generosidade e humildade.

Em setembro de 2001 participei de uma coletiva com Hebe Camargo, que lançava naquele mês o CD Como É Grande Meu Amor Por Vocês, no qual fazia duetos com Chico Buarque, Nana Caymmi e Zeca Pagodinho, entre outros. Como ela raramente concedia exclusivas, vários veículos mandaram seus repórteres para esse momento com a loira. A sala estava repleta de jornalistas de vários veículos, que ocupavam dezenas de cadeiras e o espaço perto do local onde estava o microfone que ela usaria.

Eu estava sentada na ponta de uma fila de cadeiras, quieta, observando o movimento dos colegas, quando a porta se abriu e ela entrou, vestida num tailleur claro, com suas muitas pérolas (verdadeiras) no pescoço, segurando uma bolsa numa mão e a outra no braço do sobrinho, Cláudio Pessutti. E eu a vi perguntando a ele, baixinho: “Todos estão todas aqui por minha causa?”. Ele disse que sim. Hebe, quase que meio tímida, cruzou o corredor que separava as filas de cadeiras ocupadas e agradecia às pessoas por estarem ali.  “Obrigada por ter vindo”, ouvi ela dizer enquanto passava.

Ela chegou ao espaço reservado a ela, liguei meu gravador e o coloquei perto do microfone. E o show de Hebe Camargo começou. Ela contou como foi fazer o CD com figuras tão conhecidas da MPB e converteu aquele bando de jornalistas em plateia, que ria muito, sem necessidade de perguntar. Ela deu o serviço todo sem quase ser questionada. Ia comentando o que havia acontecido de diferente em cada gravação.  Entre suas pérolas naquele dia, estão as que reproduzo abaixo.

Sobre Chico Buarque, ela disse: “Na hora de gravar com ele, eu dizia: ‘Deus do Céu! Chico Buarque! Aquele olhinho verdinho, delicioso, deu uma vontade de dar um beijo na boca. Nada de selinho. Ali era de língua mesmo, né?’”.

Sobre Zeca Pagodinho: “Sempre levava o Zeca no meu programa, tentava me aproximar e ele não me olhava. Pensava: ‘Ele não gosta de mim’. Bom, foi marcado para a gente chegar ao estúdio, num dia, por volta das 10h. Tinha um barzinho ali do lado, com uns sanduichinhos e umas bebidinhas. Sentei ali com ele. Gente! Tomamos umas cinco ou seis cervejas antes de gravar. Aí eu conheci o Zeca Pagodinho, um ser humano extraordinário”.

Sobre Nana Caymmi: “Quase que nós mudamos a letra da música, porque ela falava cada palavrão… Eu dizia: ‘Nossa, vai sair algum na gravação’. Mas parece que palavrão na boca da Nana vira uma coisa bonita. Durante os intervalos ela me dava lição de respiração. Muito difícil. Jamais vou conseguir aprender. Ela dizia: ‘A voz tem de vir do útero’. Eu respondia: ‘Mas eu já tirei o útero’”.

Sobre Ciro Batelli (tido na época como um possível pretendente): “Mas como dá para namorar estando ele lá, em Las Vegas,  e eu aqui? Você acha que vou me satisfazer só por telefone? (risos). Ainda se o telefone tivesse um formato diferente (gargalhadas). Até podia quebrar um galho… Não, o Ciro é uma pessoa muito querida. Eu não descarto. Mas ele lá, eu aqui, é impossível. A não ser que ele venha para cá ou eu vá para lá. E não quero deixar o Brasil de jeito nenhum”.

Os jornalistas se divertiam e gargalhavam com suas histórias. Em um determinado momento, ela contava sobre algo que aconteceu numa churrascaria sofisticada e famosa em São Paulo. De repente, parou no meio da história para perguntar: “Vocês conhecem essa churrascaria? Não? Bom, vocês todos são meus convidados. Cláudio, por favor, veja o nome de todos os que estão aqui, pois estão todos convidados. Mas não é para trabalhar, não,  tá? É para se divertir”, ela advertiu.  Acho que ninguém a levou a sério nessa hora e a coletiva prosseguiu.  Mas três dias depois chegou,  por e-mail,  o convite dela para comparecer a tal churrascaria.

Havia uns 30 ou 40 jornalistas, não sei precisar. Sei que eram muitos, divididos em duas mesas. Ela sentou na cabeceira de uma, por um período, e na de outra, no segundo tempo. Tive a sorte de sentar em uma das pontas, ao lado dela, enquanto  permaneceu sentada com o grupo. Hebe falou sobre sua vida, contou detalhes de amores de sua juventude, que as joias que usava era todas verdadeiras. Uma repórter aproveitou para fazer uma ligação para a mãe e pediu para a Hebe falar (o que ela fez, graciosamente). Foi uma noite agradável. Ao final, Hebe partiu junto com o último grupo de jornalistas no qual eu estava.

E hoje, no velório e enterro de Hebe Camargo, percebi que vários  profissionais da imprensa embargaram a voz durante a transmissão.   Foi um  fim de semana triste, mesmo.

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Written by cleofrancisco

setembro 30, 2012 às 3:39 pm

2 Respostas

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  1. Cleo, adorei o seu relato sobre a sua experiência de ter conhecido a Hebe. Não gosto muito deste mundo de celebridades, mas realmente não há como não se comover com a morte de uma pessoa tão querida e carismática da TV brasileira.

    Patricia Ribeiro

    outubro 1, 2012 at 10:15 am

    • Obrigada, Patrícia. Eu a encontrei outras vezes e sempre me dava uma sensação de ser muito grata à vida. Já havia contado essa história para outras pessoas, mas me marcou esse dia. Bj.

      cleofrancisco

      outubro 1, 2012 at 10:46 am


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