Amor, sexo e muito +

Um espaço para expressão e discussão de ideias

Presente de Natal: mãe e filho se encontram depois de 24 anos

with one comment

Foto: Arquivo Pessoal/  Regina, Jean e Doron no camarim logo após o encontro ao vivo no Domingo do Faustão

(Foto: Arquivo Pessoal) Regina, Jean e Doron, no camarim, logo após o encontro no Domingão do Faustão

Tive um Natal bem diferente esse ano. Fui convidada por Regina Lúcia da Silva a ir com ela ao Domingão do Faustão, dia 23, onde  encontraria pela primeira vez o filho, Doron Levner, com quem ficou apenas três dias após o nascimento, 24 anos atrás. Eu me senti feliz com o convite e honrada por participar mais uma vez dessa história. Fui a pessoa que levou para Regina a notícia que ele a procurava e que a dor da saudade e preocupação com o bem-estar do filho mais velho estavam no fim. Só alguns amigos muito  próximos souberam dessa história. Então, com a permissão de Doron e Regina relato, pela primeira vez,  o que aconteceu e divido com quem ler o post, fotos feitas quando a encontrei e do momento em que os dois se viram pela primeira vez pela Internet, da minha casa.

O início

Jovens adotados ilegalmente no Brasil, nos anos 80, e que viviam em Israel contataram ONGs como Filhos Adotivos do Brasil e Desaparecidos do Brasil. Esses homens e mulheres tentavam encontrar informações sobre seus pais biológicos. Um grupo de voluntários se uniu à causa e eu acabei me juntando à eles, que eram moradores de diferentes estados do país, para levantar informações e ajudar essas pessoas. Um dos casos me chamou a atenção: a mãe de Doron Levner havia trabalhado em uma empresa num bairro não muito distante de minha casa. Descobri o telefone, conversei com o chefe de recursos humanos, que tentou achar os dados dela, mas não conseguiu nada.

Algum tempo depois, uma das voluntárias disponibilizou na rede social na qual tínhamos um grupo fechado, novos dados sobre uma mulher com o nome da mãe de Doron, que havia trabalhado e morado cerca de 10 anos atrás na zona norte de São Paulo. Fui novamente atrás do telefone da empresa, tentei descobrir se ela ainda trabalhava no lugar, mas ninguém a conhecia e a companhia havia passado por muitas mudanças.

No dia seguinte me aventurei pelas ruas do Morro Grande para tentar achá-la. Cheguei à casa que havia sido alugada por Regina, mas ninguém se lembrava dela. Voltei para a minha residência e informei ao grupo, pela Internet, dados que tinha descoberto sobre o antigo empregador e a busca infrutífera. Logo vieram outras informações mais atualizadas sobre um provável novo emprego e endereço.

Decidi ir direto àquele que poderia ser o endereço da mulher que procurávamos. Peguei a rodovia Anhanguera, cheguei ao bairro e vaguei um bom tempo pelo lugar tentando descobrir a rua, até que cheguei a uma casa. Fui descendo as escadas enquanto chamava pela dona e apareceu uma mulher morena, baixa, de cabelos compridos e presos, parecida com a foto que havia visto da mãe de Doron feita quase 20 anos atrás. Mas não tinha certeza. Disse que procurava a Regina e perguntei o nome dela. Era Regina. Comentei que fazia parte de uma rede que procurava pessoas e que alguém a procurava. Antes de terminar a frase, ela abriu os olhos e me perguntou com a voz embargada, antes de cair no choro: “O Doron está me procurado?”. Fui convidada por ela para entrar e depois de se recompor, me contou sua história ao lado do outro filho, Jean Lucas, de 12 anos.

(Foto: Arquivo Pessoal) Regina no dia em que soube que o filho que vivia em Israel procurava por ela

(Foto: Arquivo Pessoal) Regina no dia em que soube que o filho que vivia em Israel procurava por ela

Regina engravidou do filho da dona da casa onde era empregada doméstica, em Bom Conselho, Pernambuco. O rapaz não quis assumir a criança. Sua mãe, ao saber da história, a colocou para fora de casa. Sem rumos, ela acabou em Recife, onde arrumou emprego em outra casa. Mas não demorou muito, logo ficou claro que ela estava grávida. A patroa lhe disse que conhecia alguém para adoção. Três dias depois que o bebê nasceu, ela e uma advogada apareceram no hospital e levaram o bebê dizendo que era para evitar que ela se apegasse à criança. “Eu estava tonta ainda. Sabe quando você não tem amparo de ninguém?” perguntou Regina, que era semianalfabeta na época e não se deu conta que seu filho iria para Israel.

Apenas algum tempo depois ela soube disso. “Eu me senti mal, não sabia para onde correr, quem procurar para me orientar. Estava tão desgostosa que saí daquela casa. Mas antes, peguei o telefone da advogada que estava em uma agenda. Vim para São Paulo e um tempo depois liguei para ela” disse Regina. A advogada a atendeu e lhe deu seu endereço para que Regina mandasse cartas que seriam entregues à mãe de Doron. “Mandei por correio algumas fotos minhas. E ligava no aniversário dele. Mas a advogada morreu há mais de 15 anos. E eu não tinha ficado com nenhum papel da adoção”, explicou Regina que em São Paulo decidiu estudar, acaba de se formar no ensino médio e trabalha como cozinheira. Doron soube desde os três anos de idade que havia sido adotado no Brasil e sua mãe israelense sempre disse coisas boas sobre a biológica. As fotos que divulgou da mãe que procurava eram as que Regina enviou pela advogada.

Alguns dias depois, mãe e filho marcaram de se ver pela primeira vez pela internet e isso aconteceu com ela na minha casa: ele se expressando em inglês e com a ajuda de uma amiga da família em Israel que sabia português. Ela, comigo do lado, tentando traduzir o que dizia para o filho, em inglês.

(Foto: Arquivo Pessoal)  Regina,  Jean e Doron se veem pela primeira  pela internet

(Foto: Katy Fabruzzi) Regina, Jean e Doron se veem pela primeira pela internet

Mas o melhor estava por vir. Os dois finalmente se encontraram. Semana passada, Regina me convidou para ir com ela ao programa. Aceitei na hora. Doron chegou ao Brasil alguns dias antes e conversávamos pela internet. Ele dizia que não sabia se a mãe estaria no programa, achava que ela, por timidez, poderia não ir. E me perguntou se nós iríamos nos conhecer também. Para acalmá-lo, disse que estava livre dia 24 e que iria levá-lo até a casa da mãe e que não se preocupasse: de um jeito ou outro a conheceria.

As duas coisas aconteceram: sua mãe o esperava no estúdio, junto com outra, que aguardava a filha. Depois da emoção do encontro, ele foi ao camarim conhecer o irmão. Foi um momento único. Não dá para descrever a emoção de todos. Ao nos despedir, quando já estávamos no carro da produção que nos traria para casa, ele correu até o veículo e foi olhar sua mãe e o irmão no banco de trás. Acho que não estava acreditando. Brinquei perguntando se queria que eu o beliscasse.

Na segunda-feira pela manhã, peguei Doron no hotel e o levei para passar o natal com sua família biológica.  A casa de Regina é simples, mas é dela, que conseguiu comprar o terreno com muito trabalho. E acima de tudo, esse é um lar comandado por uma mulher de bem, decente, que não tem medo de pegar no pesado, que acabou de completar o ensino médio aos 44 anos e tem ainda muitos sonhos para concretizar.

Mal chegou, Doron entregou os presentes que comprou para os três (também ganhei) e depois fomos almoçar. Nem preciso dizer que a lasanha estava uma delícia. Doron já está entendendo bem o português, mas tem dificuldade em falar. Fui traduzindo um as histórias que a mãe contava. Como, por exemplo, que ela deu o primeiro banho nele, coisa que não pode fazer com o irmão mais novo, que nasceu prematuro… Detalhes que parecem bobos, mas que fazem parte da riqueza da nossa história pessoal. Doron passou a noite de natal com sua mãe biológica, a primeira de muitas. Saí de lá comovida com a felicidade deles e fui encontrar a minha família.

(Foto: Arquivo Pessoal)  A família reunida após o encontro no estúdio

(Foto: Arquivo Pessoal) A família reunida após o encontro no estúdio

Leia também:

Mônica Buonfiglio: “Me Decepciona ver uma mulher reclamando que não é feliz porque não tem um namorado”

Mais uma história sobre Hebe Camargo

A vida íntima dos famosos

O relacionamento do homem com o pênis

Written by cleofrancisco

dezembro 27, 2012 às 8:40 am

Publicado em Uncategorized

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.

  1. muito legal tuuudo de bom voce merece

    hercules nascimento

    dezembro 29, 2012 at 6:22 pm


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: