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Por que os homens traem? Parte II: o casamento monogâmico e eterno abre as portas para a infidelidade

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Wedding Rings

(Foto: Kevin Tietz/Freerangestock.com)

 Por Cléo Francisco

A infidelidade incomoda a muitos e há milênios. Prova disso é o sétimo dos 10 mandamentos que deixa claro: “Não adulterarás”. Mais adiante na História, Jesus diria: “Ouvistes que foi dito: `Não adulterarás’. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”. A natureza do amor pregado por Jesus era altruísta e esse sentimento deveria reger todos os sentimentos humanos, como pode ser lido em Mateus 22: 37-40. “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda lei e os profetas”.

Esse amor sublime e divino não deixa espaço para a sexualidade exercida com paixão nem mesmo entre os cônjuges. Os primeiros cristãos achavam inadmissível até mesmo que o marido amasse sua esposa como a uma amante. O sexo existia apenas para a reprodução e havia uma grande desconfiança de que esse prazer, ao ser desfrutado livremente, pudesse distanciar o homem de Deus. Na verdade, havia na Igreja dois grupos que discordavam quanto ao exercício da sexualidade: um defendia o casamento como algo positivo, espécie de remédio que conteria e livraria do pecado dos excessos da carne e, ainda, teria o propósito de reprodução. E outro, um tanto mais radical, defendia a castidade e ponto final.

Assim,  foi apenas no século XIII que o casamento foi sacramentado pela igreja. Antes disso, a cerimônia tinha um caráter privado entre os nobres e selava contratos e alianças entre as famílias. E nem todos casavam porque, em épocas de guerra e muitas doenças, era preciso ter uma espécie de reserva de solteiros para o caso de novo pacto político. Com a transformação do casamento em sacramento, os noivos começam a ter espaço para consentimento na união. Mas o matrimônio ganha a característica de ser indissolúvel. Ou seja: um parceiro apenas e para o resto da vida! Antes era mais fácil terminar um casamento caso os contratos não fossem respeitados ou por infertilidade, por exemplo. A mulher voltava para a família e o homem ficava livre para nova aliança.

E com a legitimação do sexo dentro do casamento, houve a necessidade de regulamentar como seriam essas relações entre as quatro paredes do quarto do casal, assunto do nosso próximo post. Mas já adianto que a monogamia era uma obrigação, sexo fora do casamento estava fora de cogitação. “Todas as relações não-conjugais, todos os atos não-procriativos pertenciam, assim, ao reino da luxúria, sendo, portanto, por princípio, ilícitos”, comenta Ronaldo Vainfas em Casamento, amor e desejo no ocidente cristão (Editora Ática).  Quando a igreja fechou a porta para a possibilidade de outros relacionamentos,  fixou-se o limite para a transgressão e abriu-se a janela para o erotismo. A possibilidade dessa infração à lei estabelecida pode funcionar como algo extremamente erótico para muitos e também ser incluído em motivação, ainda que inconsciente, para a traição masculina que conta já com incentivo e tolerância histórica. Ou, trocando em miúdos, muita gente começou a achar que, com tanta regra e repressão à sexualidade dentro do casamento,  só pulando a cerca para se divertir e ter prazer.

Em Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade (Editora Ágora), Ana Maria Fonseca Zampieri faz a diferenciação de duas realidades nos domínios da sexualidade: a social e a libidinal. “De um lado, temos o continente do amor socializado: a esfera das práticas sexuais enquadradas pelas instituições, em particular aquelas que cristalizam os dispositivos de aliança e parentesco, e reguladas pelas orientações normativas e/ou ideológicas que lhes são correlativas. Por outro lado, temos o continente, por vezes obscuro, por vezes periférico da sexualidade libidinal: dos prazeres da carne, das experiências eróticas e das paixões. Estas duas realidades são complementares: a regulação da sexualidade pelo casamento deixa uma porta aberta para o erotismo, que, por sua vez, só assume a dimensão de transgressão se for referido a uma sistema normativo que lhe defina as condições de possibilidade”.

P.S.: Quem está acompanhando essa série de posts já sabe que estou retomando um pouco das origens históricas do casamento antes de entrar na infidelidade masculina. Para os que não leram o primeiro post, basta clicar aqui para saber um pouquinho mais sobre o que os pesquisadores dizem sobre a sexualidade dos nossos antepassados peludos e como o amor e o afeto foram importantes para a evolução do homem e das sociedades. Se você já leu, então responda a enquete abaixo.

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