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Por que os homens traem? Parte III: a Igreja regulamenta como deve ser a vida embaixo dos lençóis

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(Foto: Chance Agrella/Freerangestock.com)

(Foto: Chance Agrella/Freerangestock.com)

Ao sacramentar o casamento, a Igreja pôs ponto final na discussão entre aqueles que defendiam a castidade e os que eram a favor do matrimônio. O foco da preocupação se tornou outro: determinar o que seria permitido ou não embaixo dos lençóis. A primeira regra era a obrigação da relação sexual. Caso contrário, não haveria motivo para se casar, não é mesmo? Mas senão fizer sexo no casamento, não fará em lugar algum já que o sexo existia apenas para procriar, entendeu? 

Segundo Jean-Louis Flandrin em A vida sexual dos casados na sociedade antiga: Da doutrina da Igreja à realidade dos comportamentos (texto do livro Sexualidades Ocidentais, organizado por Phillipe Ariés e André Béjin) “Toda atividade sexual fora do casamento tem, portanto, necessariamente uma outra finalidade que não a procriação e constitui um pecado”. Paixão entre marido e mulher e tudo mais que configurasse excesso estavam proibidos. Flandrin cita São Jerônimo em seu texto: “Adultério é também o marido demasiado ardente para com sua esposa”. Havia o medo de que a paixão entre os cônjuges superasse o amor dedicado a Deus, como se um rivalizasse com o outro.

Os teólogos também debatiam outros assuntos como, por exemplo, os dias do ano em que os casais deveriam se conter entre quatro paredes. Incluíam-se nesses casos todos os dias de jejum, festa, menstruação, pós-parto,  período de gravidez e amamentação. Detalhe interessante: havia 273 dias de festa e jejum no século VIII, número que diminuiu para 140 no século XVI, de acordo com Flandrin.

Alem de quando o sexo poderia ser feito, também havia regras quanto à forma.  O coito era realizado sempre com a mulher posição “natural”, ou seja, deitada de costas e homem sobre ela. Não dava para dar uma variada. Só era aceito o papai e mamãe, mesmo. Todas as outras possibilidades eram consideradas “contra a natureza”. Cachorrinho? Nem pensar! Seria animalizar o ato. Mulher sobre o homem? Tá doido? Sexo anal, toques e beijos nas partes mais íntimas, então… Mas no século XV alguns teólogos vanguardistas, gente muito à frente de seu tempo, começaram a aceitar algumas posições em casos específicos, como quando o marido tinha excesso de peso que o impedia de fazer o papai e mamãe.

De acordo com Mary Del Priore em Histórias íntimas: Sexualidade e erotismo na história do Brasil, na América portuguesa, entre os séculos XVI e XVII, as uniões consensuais eram muito comuns e permitiam tanto a estabilidade quanto a separação do casal, sem grandes problemas e a possibilidade de novas parcerias amorosas. Outro fator que impelia os moradores da colônia a agirem assim é que a bigamia, nessa época, era punida com o degredo para a África. Então, para que, né? Em seu livro, Mary Del Priore fala sobre a relação de Dom Pedro I (casado à época com Dona Leopoldina) e a Marquesa de Santos, que ele conheceu poucos dias antes de proclamar a Independência. Domitila de Castro Canto e Mello, já era mãe de três filhos quando o conheceu e a paixão durou sete anos nos quais trocaram cartas de amor de teor bem erótico.

Aliás, Dom Pedro fez o que chamaríamos hoje de “passar o rodo”. Sua lista de amantes é longa ele não tinha limites, segundo Mary Del Priore. “Não importava a condição social: mucamas, estrangeiras, criadas ou damas da corte. […] E não hesitava em manter relaçòes com várias mulheres de uma mesma família, como fez com a dançarina Noemi Thierry e sua irmã”.  Os estrangeiros que por aqui passavam ficavam boquiabertos com o número de relações ilegítimas e adultérios que presenciavam. Porém, as regras, como sempre, eram mais rígidas para as mulheres que passavam a se vestir de negro depois de casadas ou se contentavam em ser a outra.

Para Mary Del Priore, a infidelidade masculina no século XIX era comum e vista como algo “inevitável”. “Fazia-se amor com a esposa quando se queria descendência; o resto do tempo era com a outra. A fidelidade conjugal era sempre tarefa feminina”. Mais: se o homem matasse a esposa traidora,  contaria com a tolerância social e da justiça e poderia recorrer sempre à justificativa de que o ato foi resultado de “paixão e arrebatamento”.

Também atrapalhava o relacionamento sexual o culto à pureza e virgindade femininas, que transformou a sexualidade em um terreno desconhecido para as mulheres. Isso acentuava a distância e complicava ainda mais a relação entre maridos e esposas, segundo Ana Maria Fonseca Zampieri em Erotismo, sexualidade, casamento e infidelidade. “Os homens criados nessa condição podem se sentir justificados, ou até mesmo obrigados, a buscar sexo relaxante fora do casamento. A monogamia patriarcal, quando institucionalizou esses duplos padrões sexuais, pareceu necessitar da instituição da prostituição para se estabilizar conforme é observado em nossa história brasileira”. Resumindo: regras rígidas para o exercício da sexualidade no casamento + mulheres mantidas na ignorância sexual + sociedade machista = homens que se acham com direito a ter vida sexual fora do casamento.

Para ler os posts anteriores, basta clicar em Por que os homens traem? Parte I: o amor nos tempos do Australopithecus e Por que os homens traem? Parte II: o casamento monogâmico e eterno abre as portas para a infidelidade.  Nos próximos posts falo de detalhes sobre a infidelidade masculina nos dias de hoje.

 Leia também:

 

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Por que os homens traem? Parte I: o amor nos tempos do Australopithecus

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Written by cleofrancisco

maio 28, 2014 às 10:34 am

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