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Monica Buonfiglio resgata a trajetória da heroína Maria Quitéria em novo livro e afirma: “A grande maioria das mulheres não percebe a força que tem”

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(Foto: Arquivo Pessoal) A escritora lança seu 51° livro que mostra a trajetória de uma mulher valente e decidida, que no século XIX se vestiu de homem para poder entrar no exército e lutar pela independência do Brasil

(Foto: Arquivo Pessoal) A escritora lança seu 51° livro que para os leitores a história real de uma mulher valente e decidida, que no século XIX se vestiu de homem para poder entrar no exército e lutar pela independência do Brasil

Ela acaba de lançar seu 51° livro, Maria Quitéria – A Joana d’Arc brasileira, no qual narra a história de nossa heroína da Independência, que se destacou na luta para livrar o Brasil do domínio de Portugal vestida de homem. No início do século XIX, essa jovem não deu ouvidos ao pai que a proibiu de ir à guerra e transformou-se no soldado Medeiros, entrando para o Regimento da Artilharia do Batalhão dos Periquitos. Maria Quitéria esteve à frente de várias campanhas, como a defesa da ilha da Maré e a Batalha de Pirajá onde o Brasil se libertou da presença portuguesa em 2 de julho de 1823, dia esse comemorado como Independência da Bahia. A trajetória dessa mulher é contada por Monica, que deu essa entrevista exclusiva para o blog.

Amor, sexo e muito +: Por que você decidiu escrever a biografia de Maria Quitéria? O que tem na vida dessa mulher que te estimulou a escrever sobre ela?

Monica Buonfiglio: Maria Quitéria de Jesus é considerada a Joana d’Arc brasileira e é a patrona do Exército brasileiro. Ela, à frente do campo de batalha em 1823 lutou para defender nosso país da tirania dos portugueses que não aceitavam a independência do Brasil. O que tornou a personagem tão interessante a ponto de se transformar em título de um livro foi o fato de não se tratar de uma obra de ficção, pois Maria Quitéria existiu. Uma mulher ímpar, cuja história serve para ensinar que todos nós temos um herói interior que pode ser despertado.

 

ASM+: Por que Maria Quitéria fez tanta questão de ir ao campo de batalha lutar pela independência do Brasil?

Monica Buonfiglio: Ela se parecia com um rapazote, uma mulher de estatura pequena (1,60m), sertaneja e analfabeta, porém, se sobressaía em sua altivez. Atuou em uma demonstração legítima para servir bem o país. Seu lema era: “Vá para a guerra”, e não o contrário, como fizeram muitos homens em 1823, na ocasião do recrutamento, quando se negaram a ir para a luta. Sob o olhar contemporâneo, seria considerada estranha ou inconveniente. Acrescentaria que foi até mesmo louca para se recrutar no Exército Brasileiro do século XIX. É importante ressaltar que, no dia 7 de setembro de 1822, Pedro dá seu grito de Independência mas esse ato simbolizou apenas um ensaio do que ocorreria definitivamente em 2 de julho de 1823 em Salvador, com Maria Quitéria e o exército brasileiro.

 

ASM+: Quais os maiores obstáculos que essa mulher enfrentou no século XIX?

Monica Buonfiglio: Os obstáculos eram muitos, especialmente para uma mulher. Primeiramente temos que ver sob a ótica social. Eram tempos em que a mulher precisava pedir permissão ao pai até mesmo para cortar o cabelo. Imagine, portanto, uma que se vestiu de farda para lutar junto aos homens! É muita coragem! Durante o dia ela deve ter vivido muitas dificuldades como o avançar junto à tropa pela floresta nativa, a infestação de insetos nos acampamentos, os alimentos que sempre estavam estragados, além do ataque de onças e cobras. À noite, a tropa descansava sob lençóis finos, dormindo muitas vezes, da pior maneira possível. A refeição consistia em um pedaço de pão, duas sardinhas e uma fruta. Em um trecho do livro, comento sobre as dores das regras que ela poderia ter sentido. O salário da época correspondia a R$50,00. Não foi fácil…

 

ASM+: Nas regiões mais ao sul do país a figura de Maria Quitéria não é muito conhecida. É diferente no norte e nordeste?

Monica Buonfiglio: Por esse motivo me interessei em escrever o livro. No sudeste, sul e centro-oeste, poucas referências existem sobre ela. No nordeste, ao contrário, especialmente na Bahia, nossa heroína é muito homenageada especialmente no dia da independência da Bahia, comemorado em 2 de julho.

ASM+: Você viajou à Bahia para pesquisar a história de Quitéria? Ela tem descendentes?

Monica Buonfiglio: Sim, fui várias vezes pesquisar sobre o Brasil nos tempos de Quitéria, pois a literatura específica sobre ela é muito limitada. Certamente deve ter tido descendentes, que infelizmente, desconhecemos. Quitéria teve uma filha que provavelmente deve ter se casado após a morte da mãe. Quantas mulheres baianas devem ter o sangue da nossa guerreira e nem sabem disso?

ASM+: Como foi feita a pesquisa para escrever sobre Maria Quitéria?

Monica Buonfiglio: Esse livro é um projeto antigo, de 1996, pois sempre me fascinou sua história. Em 2010 comecei a buscar material para compor a obra. Comprei vários livros de história do Brasil, alguns raros, além de pesquisar nas bibliotecas em Salvador. Depois de quase concluído, li teses, artigos e mestrados publicados na internet para fechar a obra com chave de ouro. O resultado ficou muito bom. Digo que esse livro foi um verdadeiro parto por conta da dificuldade de encontrar material para pesquisa.

ASM+: Você há havia escrito antes a biografia de Dona Leopoldina, imperatriz do Brasil. Por que esse interesse em resgatar a vida de mulheres que foram importantes na História do país?

Monica Buonfiglio: Quantas histórias de mulheres existem e devem ser contadas! Adoro esse trabalho de resgate! Escrevi a biografia da Imperatriz Leopoldina em 2003 e outras obras destacando a força do poder feminino. Já estou começando outra biografia apaixonante de mais uma mulher brasileira.

 

ASM+: Acha que as brasileiras de hoje poderiam ser mais engajadas na luta por um Brasil melhor?

Monica Buonfiglio: Claro que sim e mais conquistas virão, tenho certeza! As mulheres são agentes da modernidade e creio que a obra irá fazer revigorar a força do poder feminino.

 

ASM+: Você já me disse que se decepciona ao ouvir de mulher que ela se sente infeliz por não ter namorado. Acha que as mulheres ainda estão presas à ideia de que precisam de um homem para serem felizes?

Monica Buonfiglio: Precisamos tomar a consciência que cada indivíduo é um ser completo e de uma riqueza inigualável independente do sexo. Cada mulher é um tesouro único de imenso valor. A grande maioria das mulheres não percebe a força que tem. Por isso, sejamos felizes sozinhas, acompanhadas… isso é o que menos importa nessa jornada. Mas sejamos a diferença!

ASM+: O que Maria Quitéria tem a ensinar para as mulheres do Brasil de hoje?

Monica Buonfiglio: Nos aproximamos dos outros para encontrar alguém semelhante e tomamos distância para afirmar nossas diferenças. Por isso, gostaria que os leitores se sentissem tocados pela história desta heroína e que as mulheres se sentissem inspiradas para irem ao encontro dos seus anseios e ambições.

 

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Serviço

Maria Quitéria – A Joana d’Arc brasileira

Editora Companhia dos Anjos

Formato: 16 x 23

Páginas: 176

Preço de capa: R$ 27,00

Email: m.buon@terra.com.br e amagiadosanjos@gmail.com

Tels: (11) 4708 1950 – (11) 4708 1965

 

 

 

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Written by cleofrancisco

junho 8, 2014 às 8:00 am

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